A História de Cachoeira Dourada

Até os primórdios do século passado, o hoje município de CACHOEIRA DOURADA foi habitado por tribos indígenas da ramificação CAIAPÓS, por posseiros e de bravos sertanistas, que conviviam com doenças como a verminose, a maleita e chagas; os mesmos desfrutando de clima ameno, água e pesca à vontade; cercados, de um lado, pelas impetuosas correntes do imponente RIO PARANAÍBA e, de outro, por densa floresta virgem, de mais de 20 km de largura, com onças e abundância de caça, num ambiente mavioso e em meio à “solene voz da catarata!”.

ANTÔNIO LEITE, destemido bandeirante paulista, partindo do Rio dos Bois, contemplou, em 1824, vislumbrado, pela primeira vez, “com olhos da civilização, o imponente tombo do RIO PARANAÍBA”. E não se conteve em divulgar, posteriormente, tal maravilha!  Vale citar a beleza de um recanto que ninguém acreditaria existir naquele sertão bruto.

Relata-nos o versado historiador Dr. EDELWEIS TEIXEIRA que “o nome DOURADA lhe adveio da irisação dourada da fumaça após o tombo, quando o observador a vê do meio-dia para a tarde. É de ver-se então o arco-íris, ora aqui, ora acolá, à proporção que o sol descamba para o acaso”. Uma cachoeira que fica dourada com os raios de sol só poderia dar o nome ao local de Cachoeira Dourada, para satisfação do povoado que foi se formando ali porque pessoas que, mesmo atacadas pela maleita e pela verminose, eram atraídas pela beleza e feitiço da Cachoeira, pela fartura de pescas e pela aglomeração de turistas, na época da seca.

O adjetivo gentílico é: “CACHOEIRA-DOURADENSE”.

O núcleo populacional de CACHOEIRA DOURADA iniciou-se no século anterior a esse que ora se finda, com a doação que fizeram JOSÉ MARTINS FERREIRA, sua esposa e outros benfeitores, de 1 (uma) gleba de terras locais para constituição de um patrimônio físico imobiliário, sob a invocação de São João Batista que, pela devoção da gente simples e humilde do iniciante arraial viria a ser proclamado, oficialmente, o “Padroeiro da cidade”. Além do doador, alinham-se entre seus primeiros habitantes, dentre outros sertanistas, JOÃO BATISTA CINTRA e AZARIAS DE QUEIROZ BOTELHO.

“A importância dessa CACHOEIRA – diz-nos o mencionado Historiador, não poderia deixar indiferentes os bons tijucanos de outras épocas. Surgiu a ideia de se erigir ali, uma povoação. Assim é que a FAMÍLIA ANDRADE, dona dos terrenos, planejou e realizou a doação de um patrimônio para a Capela de SÃO JOÃO BATISTA DE CACHOEIRA DOURADA. A 24 de outubro de 1897, Padre Ângelo promove uma festa com levantamento de um Cruzeiro, no local. Em 1900, tem o mesmo provisão do Ordinário para erigir a Capela.”

Por ironia do destino e desgosto para o santo invocado, a capela São João Batista não foi construída até 1909, quando o fabriqueiro da Freguesia de Vila Platina, cônego Ângelo Tardio Bruno, vendeu as terras do patrimônio aos irmãos Camilo e Hilarião Rodrigues Chaves.

Os irmãos Chaves adquiram as terras com povoado formado com pouco mais de umas dez casas, viveu o povoado atividade primitiva, conhecido por “Feijoada” e que já possuía um pequeno cemitério. As fazendas dos Chaves, a Baú e a Largo dos Baús, já com melhorias. Já em 1994, o fazendeiro Camilo Chaves, então senador transfere o título de suas terras em Cachoeira Dourada, para seu filho Camilo Chaves Júnior.

Central Elétrica: Com a notícia dando conta que ganharia uma usina hidroelétrica, Cachoeira Dourada, começou em 1952, a experimentar o desenvolvimento populacional, com a vinda de pessoas de várias regiões do país em busca de trabalho.

Pertenceu o povoado de CACHOEIRA DOURADA ao município de Ituiutaba, desde os seus tempos iniciais, até o ano de 1953, quando foi elevado à categoria de DISTRITO, pela Lei Nº 1.039, de 12 de Dezembro de 1953 e, também, anexando ao município de Capinópolis, no mesmo ano. Pela Lei N° 2.764, de 30 de Dezembro de 1962, foi o Distrito elevado à MUNICÍPIO DE CACHOEIRA DOURADA. À 1º de Março, foi instalado o município e nomeado seu intendente, o ilustre Sr. WALDOMIRO DA SILVA MAYER.

Neste caso, o Governo Federal autorizou a CELG a construir a primeira fase da USINA DE CACHOEIRA DOURADA, com o potencial da ordem de 37.800 “cavalos”, concluindo-a em 1956. Com o advento de BRASÍLIA, a CELG iniciou a segunda etapa para ampliação energética, algo em torno de 190.000 “cavalos”, juntamente com a CONVAP e a MENDES JÚNIOR. Hoje,a Central e atraindo moradores.

Transferência de Sede

Com a ampliação da Usina – e dado o vulto da obra que empregava aproximadamente dez mil homens – não mais seria possível a permanência da vila às margens da queda da Cachoeira, exatamente dentro do canteiro se serviço das obras.

Assim, com a desapropriação decretada pelo governo Federal, em 27 de Abril de 1963, de toda área marginal, acima e abaixo da queda, a CELG adquiriu de Florêncio José Ferreira seis alqueires m/m no espigão do lado mineiro e foi traçada e locada a nova cidade. Os moradores e proprietários da vila antiga, foram indenizados e transferidos para o novo traçado.

Em 24 de Agosto de 1962 foi iniciado a transferência para o novo local. O primeiro barracão surgiu nesse dia construído por Floripes de Souza. Depois de 100 dias, a nova vila já contava com 410 casas, distribuídas em sete avenidas e quatro ruas.

Foi a partir de 30 de Dezembro de 1962 – com menos de quatro meses de construção da primeira casa – a vila de Cachoeira Dourada foi elevada à categoria de cidade. Em 1º de Março de 1963 foi instalado o município e nomeado seu intendente: Waldomiro da Silva Mayer.

A eleição dos primeiros dirigentes de Cachoeira Dourada ocorreu por intermédio de pleito renhido. Era 30 de Junho de 1963 e concorreram os partidos Social Democrático, Social Progressista e União Democrática Nacional.

Foram eleitos Camilo Chaves Júnior, para prefeito, e Cloves Alencar Chaves, para vice, em coligação formada pelos Partidos Social Democrático e Progressista. Para a Câmara Municipal foram eleitos os vereadores Afonso do Carmo, Ardelino Martins de Paulo, Delcides Joaquim Severo, João Gonçalves de Oliveira, pela lefenda da UDN; João Clementino da Silva e Joaquim Carolino de Souza, pela legenda do PSD; e Jacir de Souza e José Garcia de Araújo, pela legenda do PSP.

A posse dos eleitos prefeitos, vereadores e o Juiz de Paz, Antônio Silvério da Silva, ocorreu no dia 31 de Agosto de 1963. A Cãmara foi empossada pelo juiz eleitoral de Ituiutaba, Sebastião Lintz. Em seguida, a Câmara deu posse ao prefeito Camilo Chaves Júnior e ao Vice Cloves Alencar Chaves.